Minha Janela
“Lá em cima da janela, eu contava lentamente as folhas que caíam das árvores. (...)
E, de repente, senti muita, mas muita vontade mesmo de descer e sair para a rua e brincar com os reflexos, que iam e vinham lá embaixo.
Saí da janela, saí do quarto, desci as escadas correndo, mas não me deixaram sair da casa. Falaram de frio, chuva, resfriado, médico e outras coisas feias que eu não entendia. Não chorei. Subi as escadas contando os degraus. Vinte e cinco. A maçaneta da porta veio familiar ao encontro de minha mão. Entrei no quarto e cortei na metade o gesto de acender a luz. Fechei a porta atrás de mim e prendi a respiração enquanto ia até a janela.
D e v a g a r i n h o.”
Quando cheguei, vi que teria que dar um jeito de ver tudo aquilo de perto, não de minha janela. Pois era algo muito lindo que jamais vira igual, todas aquelas árvores soltando folhas e tentando se proteger do frio.
Era mais um dia de outono o qual só poderia ser admirado da janela do meu quarto.
Mas isso não me privou de poder sentir as sensações e os sentimentos mais gostosos.
Fiquei observando uma folha enquanto caía do doce leito quentinho da árvore para a fria calçada de minha casa.
E notei que depois dali, aquela folha poderia tomar qualquer rumo, foi quando bateu uma leve brisa e começou a levar todas as folhas consigo.
Continuei olhando para ela indo junto com as outras e pensei comigo mesmo: “um dia serei igual a essa folha. No momento certo, me desprenderei e esperarei uma leve brisa me levar.”
Maria Eduarda Silva do Amaral
9º ano